SUPER LUTAS debate: Patrício Pitbull está entre os cinco maiores lutadores brasileiros da história do MMA?

Jornalistas repercutem vitória do potiguar na revanche sobre AJ McKee no Bellator 277 e discutem legado do atleta entre representantes tupiniquins

P. Pitbull é campeão dos penas no Bellator. Foto: Reprodução/Instagram

Rei das revanches, Patrício Pitbull provou, mais uma vez, sua qualidade ao vencer AJ McKee no Bellator 277 e retomar o cinturão dos penas (até 65,7kg.) da organização. Agora, a equipe do SUPER LUTAS promove um debate sobre a posição do potiguar entre os cinco maiores nomes brasileiros da história do MMA.

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Em disputa pelo ‘posto’ entre os grandes lutadores que estiveram em ação nas artes marciais mistas, Pitbull chega forte na disputa pelo seu poder de competitividade, período de auge e legado no Bellator, além de já ter sido duplo-campeão dos penas (até 65,7kg.) e leves (até 70,3kg.) da organização de Scott Coker. Mas afinal, qual é a posição de Patrício entre os principais lutadores brasileiros de todos os tempos?

Eduardo Oliveira, Editor Chefe e fundador do SUPER LUTAS

“Todos os dias a história é escrita diante de nossos olhos e só damos o devido valor quando o hoje vira história’. Por isso é fácil cravar que Patrício Pitbull é top 5 do país. na história do esporte. Por mais que alguns tentem diminuir os feitos de Patrício, por nunca ter lutado no UFC, por não ter adversários de grande nível, eu poderia argumentar que AJ McKee é (potencialmente) mais lutador que todos os rivais vencidos por José Aldo no peso pena UFC. Mas vou usar o futebol para defender minha opinião:

– Messi não precisa vencer uma Copa do Mundo para ser um dos maiores da história

– Lewandowski não precisa sequer jogar uma Copa do Mundo ou estar na Liga de clubes mais competitiva para ser, com alguma sobra, o melhor jogador da atualidade.

Isso posto, vamos apenas acompanhar e curtir mais um momento em que a história é escrita diante de nossos olhos, sem tirar o mérito de um dos maiores da história.

Top 5 brasileiros na história do MMA: Anderson Silva, Patrício Pitbull, Wanderlei Silva, José Aldo e Fabrício Werdum. Menção honrosa: Charles do Bronx, que pode passar Werdum ainda em 2022″, encerrou.

Fernando Keller, redator e repórter do SUPER LUTAS

“Só o fato de permitir essa discussão mesmo sem nunca ter atuado na maior organização de MMA de sua época já mostra quão grande é Patrício Pitbull. Acho o potiguar o maior nome da história do Bellator e um dos três maiores penas da história do MMA. Ainda assim, infelizmente o ‘UFC-centrismo’ não me permite colocá-lo a frente de nomes como Anderson Silva, José Aldo, Wanderlei Silva (que embora não tenha brilhado no UFC, foi “Rei” no PRIDE, maior evento de sua época), Fabrício Werdum, Mauricio Shogun e outros”, explicou.

Gabriel Fareli, redator e repórter do SUPER LUTAS

“A incrível vitória de Patrício Pitbull na revanche sobre AJ McKee o credenciou, na minha opinião, a uma vaga no top 5 da história do MMA Brasileiro. Apesar de ainda estar longe de nomes como Anderson Silva e José Aldo, que fizeram história no UFC, o peso pena potiguar ratificou o seu posto de maior lutador da história do Bellator em 15 de abril. Os triunfos sobre Michael Chandler, AJ McKee, Emanuel Sanchez, Daniel Strauss entre outros, as retomadas do cinturão dos penas, o fato de nunca ter perdido uma revanche são ‘ingredientes’ que dão ‘um tempero a mais’ na brilhante carreira do lutador potiguar. Ainda subestimado e desconhecido por muitos, Patrício já garantiu o seu lugar no ‘Olimpo’ do MMA nacional. E com muitos méritos”, afirmou.

Igor Ribeiro, redator e repórter do SUPER LUTAS

“Patrício Pitbull é, na minha opinião, o maior nome da história do Bellator. De longe. Ele pode contar uma história de resiliência e foco que vimos poucas vezes no esporte. Nunca perdeu uma revanche e parece sempre fadado à vitória. No entanto, embora seus feitos sejam extremamente relevantes, ainda não o vejo no top 5 do Brasil. A história longe do UFC é louvável e mostra sua grandeza, sobretudo por entrar na discussão sem nem mesmo ter se apresentado com as luvas do Ultimate. Mas, por nível de apresentação e representatividade, eu coloco Anderson Silva, Royce Gracie, José Aldo, Minotauro Nogueira e Vitor Belfort no top 5. O que não é nenhum demérito ao Pitbull, que já cravou seu nome nas artes marciais”, analisou.

Laerte Viana, host do SUPER LUTAS no YouTube

“Se a gente for analisar longevidade, Pitbull está, no mínimo, no top 5 da história do MMA brasileiro. E até a concorrência, diferente do que muitos podem imaginar, ele pegou muita gente boa. Michael Chandler, AJ McKee – que é um talento nato – e o próprio Daniel Straus, que ele enfrentou quatro vezes, mesmo esse já não esteja no auge. Acho que, em questão de legado e embora nunca tenha pisado no UFC, o Pitbull enfrentou uma galera de qualidade e se manteve atuando em altíssimo nível por muito tempo”, opinou.

Tarso Doria, host do SUPER LUTAS no YouTube

“Na minha opinião, Patrício está, sim, entre os cinco maiores. Não só pela parte esportiva. Todo ano ele tem uma nova grande atuação. Óbvio que ele sofreu derrotas nesta trajetória, mas, foram tantas vitórias que as poucas derrotas são esquecidas – e as derrotas quase todas vingadas. Além de toda a capacidade técnica, força de vontade, inteligência, de levantar uma academia (Pitbull Brothers) muito relevante dentro do cenário brasileiro e mundial, Pitbull, esportivamente falando, é um cara que está entre os cinco melhores brasileiros de todos os tempos. Vou além da parte esportiva. O que conta para a entrada dele (na lista), é a parte do business, porque, todo lutador que faz uma escolha de carreira, que não é o UFC, conta no critério de avaliação. Patrício influencia e influenciou o MMA de diversas formas, por vestir a camisa do Bellator e se manter no Bellator. Para quem tem dúvidas se ele teria chances no UFC – sei que a equação do MMA não é perfeita -, Marlon Moraes foi campeão do WSOF, dominante lá, em um campeonato que entregava desafiantes inferiores ao que o Bellator entrega para o Patrício, Marlon conseguiu chegar no UFC, nocauteou o atual campeão e foi relevante na sua passagem? Até onde o Patrício Pitbull iria? Eu, realmente, fico muito curioso. Meu top 5: Wanderlei Silva, Anderson Silva, José Aldo, Fabrício Werdum e Patrício Pitbull”, garante.

VH Gonzaga, redator e repórter do SUPER LUTAS

“Patrício Pitbull é a maior prova e representação de que ‘existe vida fora do UFC’. Para comprovar, basta analisar brevemente sua trajetória no esporte, superando nomes como Michael Chandler e Daniel Straus. É um lutador completo, ótimo funcionário,  além de maior lenda na história do Bellator. O Brasil, no entanto, é conhecido por ter revelado grandes nomes para as artes marciais mistas. Desta forma, é até cruel não escalar o potiguar entre os cinco maiores brasileiros da história, mas é o que acontece nesta análise. Na minha opinião, o top 5 do Brasil é composto por Anderson Silva, Wanderlei Silva, José Aldo, Vitor Belfort e Marco Ruas. Todos estes contribuíram para a difusão do esporte mundialmente e elevaram o verde amarelo para lugares ainda não desbravados em uma modalidade repleta de talentos. É importante destacar que Patrício não está longe ‘das cabeças’. O ícone do peso pena – que segue buscando um desafio de campeões entre Bellator e UFC – deve ser considerado um gênio do esporte e pode, tranquilamente, ‘sentar à mesa’ e conversar de igual para igual com todas as lendas citadas acima”, destacou.

Opinião de Patrício Pitbull

“Tem muito cara bom. Anderson Silva, com certeza, é o maior brasileiro, com muitas defesas de título. Wanderlei Silva também é outro. Rodrigo Minotauro, José Aldo e eu, mas eu ainda não parei (de lutar). Não falei uma ordem de colocação. Têm muitos outros nomes que estão na batalha da vida, e ainda com o cinturão. Charles do Bronx, não sabemos onde esse cara vai parar. Ainda estou fazendo história também. Tenho que aguardar para ver. Quero ser um dos maiores ou o maior”, disse o próprio lutador, com exclusividade ao SUPER LUTAS.

Khamzat Chimaev provou ser uma ‘fera’, mas, perto de Kamaru Usman, ainda é um ‘gatinho’

Luta contra Gilbert Durinho no UFC 273 provou que sueco é muito acima da média, no entanto, é perigoso compará-lo ao ‘Pesadelo Nigeriano’

K. Chimaev (dir.) é o atual número três da divisão liderada por K. Usman (esq.). Foto: Reprodução/Instagram

Cinco lutas, cinco vitórias. Este é o retrospecto, até agora impecável, do confiante e promissor Khamzat Chimaev com as luvas do Ultimate. No UFC 273, o sueco fez valer a confiança depositada pela organização e passou pelo maior desafio de sua carreira, ao superar, por pontos, Gilbert Durinho. A pergunta que fica é: o ‘Bicho-Papão’ dos meio-médios (até 77kg.) está pronto para o ‘grande chefão’, Kamaru Usman? Tentarei responder o questionamento nesta edição do BLOG DA REDAÇÃO.

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É fato – basta assistir às quatro primeiras apresentações de Chimaev no Ultimate – que Khamzat não teve dificuldades em seus primeiros desafios na organização. Contra John Phillips, Rhys McKee, Gerald Meerschaert e Li Jingliang, o lutador massacrou praticamente sem ser tocado.

Em 9 de abril, porém, atleta, chamado de ‘fenômeno’ por Dana White, teve seu pedido atendido e encarou um representante da elite dos meio-médios. Mesmo confiante, Khamzat não conseguiu cumprir a promessa de que atropelaria Durinho de forma relâmpago.

Contra o brasileiro, o sueco suou, sangrou e, pela primeira vez na carreira, não conquistou um resultado positivo na via rápida. Foram necessários três rounds muito disputados e, há fãs do MMA que viram vitória do niteroiense.

Suou, mas passou. E agora?

Na minha concepção, caso Chimaev ‘passeasse’ contra Gilbert, não haveria outra saída a não ser dar uma disputa de cinturão ao pupilo de Dana. Afinal, Durinho representa mais do que um grande desafio dentro da companhia, já que foi um dos poucos que se aproximaram de derrotar o excepcional Kamaru Usman, em 2021.

Longe de mim querer tirar os méritos do resultado positivo de Khamzat, até por respeito ao ex-desafiante ao título da categoria até 77kg. A performance, no entanto, apesar de convincente, mostrou que o sueco de 27 anos está alguns degraus abaixo do melhor lutador do UFC na atualidade.

Escalar Chimaev para enfrentar Usman no momento pode ser um ‘tiro no pé’ dado pelo próprio Ultimate, que deposita publicamente suas fichas no jovem combatente. O confronto que faz sentido, agora, é Chimaev contra Colby Covington – embate que faz sentido tanto esportivamente quanto financeiramente.

Por que não Usman?

‘Chimaev provou ser uma fera, mas monstro mesmo é Kamaru Usman’. A frase poderia ser usada para iniciar qualquer discussão que envolva como tema o combate entre Khamzat e o atual campeão dos meio-médios.

Antes mesmo de se tornar o dono do trono da categoria, o ‘Pesadelo Nigeriano’ colecionava vítimas no octógono e, desde que vestiu o título, tem mostrado evolução constante. As conquistas pessoais do atleta fizeram com que ele tomasse o topo do ranking dos peso por peso do lendário Jon Jones, além de se aproximar do recorde histórico do nosso amado Anderson Silva.

Monstro no wrestling, perigoso na trocação, Usman detém características que podem fazê-lo ostentar o ‘codinome’ de Superatleta. Privilegiado fisicamente, o nigeriano, se não finalizar ou nocautear, é capaz de levar os adversários às águas profundas por 25 minutos, se assim for necessário.

Inteligente, estratégico e contundente, Kamaru, hoje, detém a segunda posição no ranking de maior sequência de vitórias dentro do UFC. Ao todo, o atleta soma 15 triunfos, um a menos do que o lendário Anderson Silva, que ainda ocupa o topo da lista.

É inegável que, se vencer em mais uma apresentação, caso se cumpra o desejo de Dana White e Chimaev, de fato, enfrente Colby Covington, o sueco se encontrará com o ‘Pesadelo Nigeriano’. Obviamente, a análise considera que o campeão faça valer o favoritismo e vença o confronto contra Leon Edwards, que ainda não tem data confirmada.

É fato que cada caso é um caso. Cada luta é uma luta. No entanto, Chimaev foi capaz de aplicar seus melhores golpes e, ainda assim, não pôde superar a alta resistência de Durinho no UFC 273. Usman, por sua vez, soube suportar a pressão quando enfrentou o brasileiro. Como recompensa à superação, um nocaute fulminante, que adiou o sonho do niteroiense em assumir o topo dos meio-médios.

Ou seja, o que Khamzat suou para conseguir em 15 minutos, Kamaru o fez com menos tempo, mesmo tendo 25 minutos disponíveis para lutar.

Prego, sim, respeito a Chimaev. Porém, ‘copio e colo’ o título desta edição: ‘Khamzat Chimaev provou ser uma ‘fera’, mas, perto de Kamaru Usman, ainda é um ‘gatinho’.

Devorador de lendas: Volkanovski já é um dos maiores de todos os tempos, mas você ainda não se ligou

Frio, calculista e devastador de ícones; atleta provou que já merece lugar de destaque nos ‘livros de história do MMA’

A. Volkanovski é o atual campeão dos penas do UFC. Foto: Reprodução/Instagram

Se você leu o título desta matéria e ficou curioso para saber o desfecho desta edição do ‘Blog da Redação’, afirmo: ‘não, você não entendeu errado’. Escrevo para os céticos e para os que já acreditam no legado que Alexander Volkanovski tem pintado a ouro no peso pena (até 65,7kg.) do MMA. De ex-jogador de rúgbi a ‘devorador de lendas no UFC’, aqui, explicarei por que campeão já merece uma estátua de bronze para ser eternizado ao lado de ícones do esporte.

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No UFC 273, Volkanovski deu um verdadeiro show sob os olhares dos espectadores, que acompanharam pela TV e, principalmente, para o público presente na VyStar Veterans Memorial Arena. Agressivo e impiedoso, o australiano ‘passeou’ contra Chan Sung Jung e defendeu, com um nocaute fulminante, seu cinturão pela terceira vez.

Como uma lenda é criada?

Para você, querido leitor, o que um lutador precisa para ser eternizado na história do MMA? ‘Bailar’ e nocautear como Anderson Silva? Reinar 10 anos absoluto, como Jon Jones? Dominar e contundir como Georges St-Pierre? Anular o oponente como Khabib Nurmagomedov? De fato. Estes são ingredientes que podem caracterizar um atleta épico, singular.

O ‘Devorador de Lendas’

Os nomes citados se tornaram ícones das artes marciais mistas e estragaram sonhos de diversos adversários ao longo de suas carreiras. No entanto, já é hora de adicionarmos Alexander Volkanovski à lista? Sim, e explico, com uma pequena analogia.

No título deste texto, tratei Volkanovski como um ‘Devorador de Lendas’. Em algumas culturas, em tempos povoados por nossos antepassados, acreditava-se que se ingerir a carne de semelhantes poderia fazer com que o indivíduo se apossasse de características da ‘vítima’. Após dado ritual, baseando-se nas crenças da época, tal ser gozaria da capacidade de evoluir.

Obviamente, tratamos a referência no sentido figurado. No entanto, o que Alexander tem feito em suas apresentações no Ultimate é se ‘apossar’ qualidades de seus adversários e tornar até uma lenda em um lutador comum.

Considerado a divisão dos penas, Volkanovski já não precisa provar nada a ninguém. Nem sempre para conquistar um cinturão o lutador precisará derrota o melhor, e isso por acontecer por diversas variantes. Em seu legado, no entanto, o ‘Devorador de Lendas’ fez e faz questão de ‘riscar’ nome por nome de sua lista de vítimas.

Para muitos, José Aldo é o melhor peso pena da história – não só do UFC, mas, também do MMA. Para a tristeza de nós, brasileiros, o ‘Campeão do Povo’ foi uma das vítimas do australiano, quando foi anulado em pleno Rio de Janeiro, e superado diante de sua torcida.

Carrasco do mesmo Aldo por duas vezes, Max Holloway – que também é figura recorrente nas discussões de maior – também não pôde com Volkanovski. O carismático havaiano bem que tentou, mas foi destronado em 2019 e, em revanche imediata, falhou ao buscar retomar seu antigo trono.

Chamado por José Aldo de ‘Príncipe’ dos penas, Chad Mendes, o lutador que, desde jovem, teve todos os recursos para a se firmar como um ícone da categoria, ‘caiu’, literalmente, diante de Alexander.

Há controvérsias?

Que gritem os fãs: ‘Aldo defendeu o cinturão do UFC por sete vezes!’. É bem verdade, e, como grande fã do manauara, não pretendo, ao menos neste momento, comparar o legado daquele que representou tão bem o Brasil na organização.

Defesa feita, mais verdade ainda é que, José, apesar de viver novo – e grande – momento no peso galo do UFC, já enxerga Volkanovski correndo a plenos pulmões e perseguindo sua coroa e seu recorde. No último dia 9 de abril, o australiano conquistou a terceira defesa de título, e observa, de longe, um clima desértico, sem adversários que, no papel, possam ao menos assustar.

Quem, hoje, pode ‘bater no peito’ e dizer: ‘sou campeão do UFC e somo 21 vitórias consecutivas!’. Em um esporte em que, para se perder, basta um movimento equivocado de mãos ou pés, o retrospecto de Alexander impressiona.

Infelizmente, sou cético ao vislumbrar um campeão ou campeã perfeitos. Acredito que todos perdem em algum momento, desde que não se aposentem de forma precoce. Para um tropeço, basta que se tranque a porta do cage. Volkanovski, no entanto, não dá sinais de que irá encontrar alguém, em sua divisão, e em um curto período de tempo, que possa chocar o mundo e dizer: ‘derrotei uma lenda do peso pena’.

Pergunta simples: o que restou na divisão?

Assim como acontece com Israel Adesanya no peso médio (até 83,9kg.) do UFC, Alexander Volkanovski pode ter se tornado vítima de seu próprio talento. Após ter passado por nomes eternizados na divisão, o que resta agora?

Pupilo de Rafael Cordeiro na ‘Kings MMA’, Giga Chikadze traçava uma trajetória imponente na categoria, mas acabou vendo seu bom momento acabar depois de ser superado por Calvin Kattar. O próprio Kattar foi historicamente surrado por Max Holloway no início de 2021.

Ex-campeão do grupo, Holloway também ‘fez o favor’ de afastar as chances de Yair Rodriguez. Arnold Allen é um bom nome para o futuro, mas precisa mostrar mais na organização, além de figurar fora do top 5 da categoria.

Apesar de entregar uma ‘guerra’ contra Volkanovski em 2021, Brian Ortega não pôde superar o campeão. Quando incluímos o ‘Zumbi Coreano’, última vítima do australiano, foram-se os cinco atletas da elite dos penas.

O que resta para Volkanovski?

Chimaev x Durinho no UFC 273: Favoritismo do sueco é (muito) exagerado e não se justifica; entenda os motivos

Apesar de estar invicto e dominar adversários em suas lutas, Khamzat nunca enfrentou um perigo tão real ao medir forças contra a experiência e qualidade do brasileiro

K. Chimaev (esq.) e G. Durinho (dir.) se enfrentam no UFC 273. Foto: Montagem SUPER LUTAS

O UFC 273, evento realizado no próximo sábado (9), traz o interessante duelo entre Khamzat Chimaev e Gilbert Durinho, que tem sido aguardado com grande afinco pela comunidade do MMA. Invicto em dez lutas, o sueco chega com um favoritismo de – 1.20, de acordo com o site ‘Bet365’, enquanto que uma vitória do brasileiro possui valor + 4.80.

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Os valores sugeridos pelo favoritismo de Chimaev nas casas de apostas, no entanto, são exorbitantes e não se justificam. O checheno naturalizado sueco, que ocupa a 11º no ranking dos meio-médios (até 77kg.), nunca esteve envolvido em um nível de competição tão grande quanto ao de Durinho. Por isso, entenda os motivos aos quais a preferência por Khamzat pode se tornar arriscada.

Experiência

Para iniciar, é preciso lembrar da ‘rodagem’ de Durinho no MMA. Pupilo de Vitor Belfort por um bom tempo, o brasileiro esperou o momento certo para começar a brilhar, sob apoio e experiência do ‘Fenômeno’. O início de sua trajetória no Ultimate, aliás, foi marcado por grande oscilação nos leves (até 70,3kg.), apesar de ter vencido sete lutas e perdido três.

Ainda assim, a bagagem na divisão anterior fez a diferença para que Gilbert fizesse a transição aos meio-médios (até 77kg.) com ímpeto agressivo e evolução em todas as áreas do jogo. Até então, ele fez sete apresentações na organização, contra um forte nível de competição, incluindo vitórias contra nomes importantes, como Demian Maia, Tyron Woodley e Stephen Thompson, todas elas com amplo domínio sobre seus adversários. Ainda que tenha medido forças contra outros grandes atletas, Chimaev nunca enfrentou alguém que trouxesse uma experiência como a do niteroiense.

Alto nível no jiu-jitsu

Oriundo do jiu-jitsu, o niteroiense tem passado de grande sucesso na ‘arte suave’. Faixa-preta em 2º grau, ele conquistou o Campeonato Mundial em 2011, após uma medalha de prata dois anos antes. Durinho também venceu o torneio sem quimono em 2010 e 2013, além da Copa do Mundo em Abu Dhabi (EAU).

Nas artes marciais mistas, das 20 vitórias em sua carreira como profissional, oito delas foram via finalização, com especialidades em chave de braço e mata-leão. O retrospecto ainda fica melhor, já que nunca foi finalizado em 24 lutas.

Trocação afiada

Apesar do alto nível no jiu-jitsu, Gilbert já deixou de ser um atleta unidimensional e parece pegar gosto na trocação. Além de mostrar grande evolução no boxe, o brasileiro sabe tirar a diferença de envergadura dos adversários e tende a não se expor nas aproximações. É pouco vazado.

A mudança veio com o tempo. Ciente de que precisava desenvolver seu jogo em pé para chegar ao topo da divisão, ele passou a assustar seus oponentes com seu poder nas mãos. Em suas últimas vitórias, por exemplo, conseguiu nocautear Demian Maia e viveu bons momentos no ‘in fight’ diante de Woodley e Thompson.

Não à toa, Durinho acredita que pode nocautear Chimaev. Em entrevista exclusiva ao SUPER LUTAS, Burns revelou que deseja voltar para casa sem se machucar e projetou um triunfo ainda no primeiro round do duelo.

O melhor cenário é ir para casa sem nenhum arranhão. É o ‘bicho’ entrar, me derrubar e eu levanto. E (em pé) um nocaute no primeiro round, com dois minutos, sem me machucar”, disse o brasileiro.

Só perdeu para o campeão

A mudança definitiva aos meio-médios, que aconteceu em 2019, foi a grande reviravolta na carreira de Durinho. Afinal, o lutador chegou a emplacar uma série de quatro triunfos seguidos – seis no total – até ter uma chance pelo título, contra o ex-parceiro de treinos Kamaru Usman.

Apesar de ter sido nocauteado no terceiro round contra o campeão, Gilbert teve bons momentos no embate e aplicou um knockdown no nigeriano em round inicial. A chance, no entanto, acabou ‘escorregando’ na missão final, mas mostrou a qualidade do brasileiro, já que, ao lado de Colby Covington, foi um dos desafios mais difíceis de Usman. Até o instante, o duelo representou o único revés até 77kg. do lutador no UFC.

Vai pegar fogo…

O duelo entre Gilbert Durinho e Khamzat Chimaev fará parte do card principal do UFC 273, marcado para o dia 9 de abril e será realizado na VyStar Veterans Memorial Arena, em Jacksonville, Flórida (EUA). O brasileiro entra com a missão de frear o ‘hype’ do sueco, que mantém invencibilidade de dez triunfos.

Profissional desde 2012, Burns conta com um retrospecto de 20 resultados positivos e quatro negativos; sendo seis nocautes, oito finalizações e seis por pontos. A missão é difícil, mas não impossível. Chegou a grande hora de sabermos o resultado!

Charles do Bronx ou Rafael dos Anjos: quem é o maior peso leve brasileiro da história do UFC?

Dois dos maiores nomes da história da organização, brasileiros têm histórias que se confundem e são exemplos de superações na divisão até 70,3kg.

C. do Bronx ou R. dos Anjos: quem é o maior peso leve brasileiro da história do UFC?. Foto: Montagem SUPER LUTAS

As discussões entre os maiores nomes de cada divisão seguem mexendo com os ânimos da comunidade do MMA, sobretudo por serem opiniões individuais e, por isso, podem não representar a verdade absoluta. Porém, com nova vitória em domínio expressivo contra Renato Moicano, Rafael dos Anjos esteve envolvido em um novo debate na divisão dos leves (até 70,3kg.).

Dos Anjos, que já foi campeão dos leves no passado, é um dos grandes nomes na categoria. Mas, afinal, entre ele ou Charles do Bronx, quem é o principal brasileiro na história dos leves (até 70,3kg.)? Para ajudar na resposta, o SUPER LUTAS cita os maiores feitos dos dois atletas para comparativo.

Quem venceu os melhores nomes?

É verdade que Dos Anjos e Do Bronx venceram muitos dos maiores personagens em todos os tempos. Com 31 lutas na organização, Rafael já superou os ex-campeões Ben Henderson, Anthony Pettis e Robbie Lawler, além de ter batido Donald Cerrone, Nate Diaz, Neil Magny e Kevin Lee.

Por outro lado, o carioca sofreu derrotas para os ex-campeões Khabib Nurmagomedov e Kamaru Usman, assim como para Tony Ferguson, Eddie Alvarez, Colby Covington e Leon Edwards.

Com 29 apresentações, Charles precisou superar os altos e baixos até se tornar o detentor atual do cinturão. E, para isso, vem de expressivas vitórias contra Tony Ferguson, Michael Chandler e Dustin Poirier. Ele também tem um confronto marcado para enfrentar Justin Gaethje no UFC 274 do dia 7 de maio.

Em contrapartida, no passado, ele foi superado pelos ex-campeões Frankie Edgar, Max Holloway e Anthony Pettis, em adição a Ricardo Lamas, Donald Cerrone e Jim Miller.

Nota-se, portanto, que Rafael dos Anjos superou Donald Cerrone e Anthony Pettis, que venceram Charles do Bronx no passado. Além disso, em favor do carioca, ele venceu três detentores do cinturão linear no UFC, enquanto o paulista sequer conseguiu o mesmo feito em sua carreira.

Rafael dos Anjos 1 x 0 Charles do Bronx

Recordes na organização

É inegável que Charles entrega o máximo em todos os seus combates. E, por isso, conta com dois recordes dentre todos os competidores que já competiram na organização. O paulista conta com 12 prêmios de ‘Performances da Noite’, além de ser o lutador com mais finalizações na história do UFC. E, no quesito, Do Bronx leva muita vantagem sobre Dos Anjos, que celebrou duas ‘Performances da Noite’ e ter finalizado quatro vezes.

Rafael dos Anjos 1 x 1 Charles do Bronx

Análise de vitórias no Ultimate

Ao compararmos os números dos lutadores em competições nos leves (até 70,3kg.), vemos uma nova superioridade de Charles do Bronx. O paulista venceu 13 de 17 lutas e tem sucesso de 76,4% no aproveitamento, enquanto que Rafael dos Anjos atuou em 22 lutas, com 15 triunfos, representando uma porcentagem de 68,1%.

Rafael dos Anjos 1 x 2 Charles do Bronx

‘Ponto alto’ na carreira

O auge do carioca na organização de Dana White aconteceu entre junho de 2014 e dezembro de 2015. No período, ele venceu cinco adversários, incluindo Anthony Pettis e Donald Cerrone pelo cinturão dos leves (até 70,3kg.). Além disso, ele conseguiu nocautear três atletas e superou os outros dois na decisão dos juízes.

Já a maior sequência do paulista é, justamente, a atual. Depois de intercalar entre vitórias e derrotas, ele começou a atual sequência em junho de 2018, com dez triunfos em série – sendo, também, Michael Chandler e Dustin Poirier pelo título. Foram seis finalizações, três nocautes e uma luta na decisão dos juízes, podendo, inclusive, ampliar a sequência em suas próximas apresentações.

Rafael dos Anjos 1 x 3 Charles do Bronx

Em suma…

As análises dos lutadores mostram superioridade do atual campeão dos leves (até 70,3kg.), Charles do Bronx. Lembramos, inclusive, que os números podem se tornar variáveis, já que ambos pertencem ao topo da divisão, bem como ainda sequer deram indícios de términos na carreira.

A discussão é ampla, já que inúmeros fatores podem ser levados em consideração e a opinião, por muitas vezes, acaba sendo individual. Mas, nos números, o paulista leva vantagem e pode estender seu legado como detentor do cinturão da categoria.

Dariush ou Green? Pouco importa; Makhachev tem disputa de cinturão assegurada desde o UFC 254

Pupilo de Khabib ‘cumpriu tabela’ por pouco mais de um ano e espera se encerra em fevereiro; peso leve pretende suprir ausência do mentor no Ultimate

I. Makhachev posa com antigo cinturão de K. Nurmagomedov. Foto: Reprodução/Instagram

Depois de ‘cumprir tabela’ no Ultimate por pouco mais de um ano, Islam Makhachev, enfim, chegará a uma disputa de cinturão no peso leve (até 70,3kg.). Protagonista do UFC Las Vegas 49, que acontece em 26 de fevereiro, o atleta enfrenta o desraqueado Bobby Green, em confronto que pouco importa quem é o rival. Candidato a principal estrela da empresa, o russo tem luta pelo trono assegurada desde 24 de outubro de 2020.

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Pupilo e aluno de Khabib Nurmagomedov, Makhachev é considerado por muitos como o sucessor imediato do ex-campeão dos leves, aposentado desde outubro de 2020. Talentoso e com técnicas que se assemelham às do professor, o combatente precisou aguardar o desfecho da elite da categoria, enquanto construía sua história e colecionava vítimas no octógono.

Com estilo pragmático, previsível, mas infalível nos últimos nove embates, Makhachev conseguiu chegar ao top 5 dos leves. Neste fim de semana, o atleta teria a oportunidade de avançar ainda mais, não fosse a lesão de Beneil Dariush, número três do grupo, a dias do show.

Ao notar a maneira com que superou os últimos adversários e contando sempre com o suporte de Khabib, que segue gozando de grande prestígio com o UFC, era questão de tempo para que o russo pudesse ser um desafiante legítimo ao cinturão. Seu talento e com um ‘padrinho’ de peso fizeram com que o lutador chegasse como favorito até diante de adversários ‘mais rodados’ e mais bem ranqueados na companhia.

Cadê o adversário de peso?

Muitos questionam o fato de Makhachev ter chegado ao top 5 sem enfrentar um adversário de maior nome. É verdade. Islam não precisou passar por inúmeras ‘guerras’, como fez o campeão da divisão, Charles do Bronx, para assegurar sua primeira defesa luta pelo cinturão.

Em seu retrospecto recente, apenas Dan Hooker figurava entre os 10 melhores da categoria. O atleta, no entanto, já reclamou publicamente sobre as dificuldades em encontrar adversários que quisessem medir foças contra um prospecto ao cinturão mundial.

O maior desafio do russo, de fato, seria neste fim de semana, quando enfrentaria Beneil Dariush, ‘forjado’ por Rafael Cordeiro na consagrada ‘Kings MMA’. O adversário, lesionado, acabou dando lugar ao desranqueado Bobby Green, que topou voltar ao octógono duas semanas depois de uma vitória sobre Nasrat Haqparast.

‘Passeio’ Green deslegitima Makhachev?

Quando tratamos de um atleta comum, um anticlímax, como a ausência de Dariush, poderia atrasar o planejamento de toda uma equipe. No entanto, repito: não estamos tratando de um ‘lutador qualquer’.

O ‘fator Khabib’, por mais que pareça injusto para muitos, pelo fato de Makhachev não ter passado por ‘perrengues’ que outros passaram, faz a diferença nesta história. Amigo de Dana White e com a alcunha de ser um dos maiores nomes da empresa em sua história recente, Nurmagomedov, há tempos, exige uma luta do pupilo por seu antigo trono.

Enquanto Islam não tinha seu nome entre os cinco melhores da categoria, parecia absurdo cogitar o russo como um desafiante legítimo. Agora, na quarta posição, com Dustin Poirier fora da parada e Justin Gaethje confirmado como rival de do Bronx no UFC 274, fica inviável não dar a chance ao russo na sequência.

Tudo isso, claro, depende de uma vitória sobre o Bobby Green.

Torcida pelo ‘azarão’? Aqui, não

Corajoso e com a certeza de que irá faturar alguns dólares a mais no mês – perdendo ou ganhando o confronto -, Green chega ao UFC Las Vegas 49 sem a pressão da vitória. O atleta, inclusive, deve contar com a torcida de milhões de fãs do esporte ao redor do mundo, por se tratar de um atleta que, no papel, não possui tantos recursos para vencer o pragmatismo de Makhachev.

Por vezes, torcemos para zebras. Acontece no futebol, na NBA, nos filmes. Neste caso, peço licença e me retiro das conversas na torcida para quem tem menos chances de vencer, e tenho dito.

Em se tratando de Makhachev, estou no grupo daqueles que estão ansiosos para saber o que a ‘nova estrela’ russa pode oferecer. Quero ver Islam dividindo o octógono com os melhores, de fato. Quero ver o ‘novo Khabib’ consegue, na hora certa, anular a raça e o jiu-jitsu de excelência de Do Bronx ou a trocação afiada de Gaethje, mesmo que, no passado, o norte-americano tenha sido presa fácil para o professor Nurmagomedov.

Chance de o sonho ser novamente adiado

Mesmo após descrever o cenário atual dos leves, ainda entendo duas possibilidades que podem frustrar os planos de Makhachev em chegar a uma disputa de título.

Caso o russo, de fato, passe por Green, o atleta, obviamente, ficará de olho em ‘Charles x Justin’. Se a luta entre o campeão e norte-americano acontecer de forma equilibrada, que gere o impacto necessário para uma revanche imediata, a diretoria do UFC pode não pensar duas vezes. Islam, então, espera mais uma vez e pode ter um novo adversário na linha de frente.

Improvável, mas não impossível, seria o eventual retorno de Conor McGregor, que se recupera de grave lesão e deve voltar ao MMA nesta temporada. Nos últimos meses, Do Bronx não escondeu que permitiria uma ‘furada de fila’ do irlandês, que vem de duas derrotas consecutivas, mas carrega consigo a capacidade ímpar de trazer entretenimento a fãs ao redor do mundo.

Torcer para Adesanya ou Whittaker no UFC 271? Desfecho pode colocar categoria em xeque

Quais são as consequências de uma eventual vitória de Israel? Não é só mais uma luta

I. Adesanya é campeão dos médios no UFC. Foto: Reprodução/Instagram

Deixando as comparações com Anderson Silva para uma outra oportunidade, é indiscutível que Israel Adesanya tem escrito seu nome a ouro no Ultimate, pelo menos quando consideramos o peso médio. No entanto, o talento acima da média do nigeriano pode colocar os fãs de MMA em uma ‘enrascada’. O que acontece quando um atleta ‘limpa toda uma categoria’?

Pois bem. No ‘Blog da Redação‘ da semana, tentarei explicar: o que pode ocorrer se Adesanya derrotar Robert Whittaker no UFC 271, em revanche válida pelo cinturão da divisão até 83,9kg?

Primeiramente, há de se deixar claro o respeito pelo neozelandês, que fez por merecer a condição de desafiante, não escolhendo rivais e passando por três desafios exigidos pelo Ultimate, até chegar no ‘chefão’; Robert, apesar de ser parte importante na história, não será inserido neste momento.

Há pouco mais de dois anos como ‘rei absoluto’ dos médios, Adesanya se encaminha para sua quarta defesa de cinturão. No trono desde 2019, o atleta enfileirou Yoel Romero, Paulo Borrachinha e Marvin Vettori, passando sem maiores problemas por todos os perigosos rivais – ao menos no papel.

Desafiante a desafiante derrotado, Adesanya sempre olha adiante na divisão. No entanto, chegou o curioso momento em que o atleta parece caminhar em círculos. Explico.

Quando superou Vettori, o desafio contra o italiano marcava a reedição de um confronto realizado em 2018. É bem verdade que o primeiro encontro ocorreu de forma equilibrada, sendo resolvido na decisão dividida dos juízes. Em revanche, na temporada passada, só deu Israel.

Entre os dois primeiros desafiantes de ‘Izzy’, Romero levou ‘seu jogo’ para a concorrência e, hoje, tenta brilhar no Bellator. Borrachinha, considerado por muitos como o maior desafio para Adesanya em 2020, acabou facilmente superado pelo campeão, sendo nocauteado no segundo round. Na tentativa de se reaproximar do nigeriano, o mineiro acabou parando em Vettori e, atualmente, é pouco citado quando o assunto é a disputa de cinturão nos médios.

E agora, UFC?

Chegamos ao UFC 271. O campeão tem novamente um velho conhecido. Whittaker, destronado por Israel em 2019, tenta retomar o posto de líder do grupo. Agora, a maior questão: Robert pode ser herói, ou vilão, dependendo do ponto de vista.

Hoje, Israel Adesanya é uma das maiores estrelas do Ultimate. Seu sucesso, literalmente, é o sucesso da organização. Um resultado positivo do atleta, no entanto, coloca em xeque o engajamento na divisão, pois, no top 5, apenas Jared Cannonier – que também luta em 12 de fevereiro – não dividiu o octógono com o atual campeão. De resto, ‘Bobby’, Vettori, Derek Brunson e Borrachinha sucumbiram ao talento de ‘Izzy’.

Então, os fãs do peso médio devem torcer para Whittaker? Não necessariamente. Um eventual triunfo de Robert, de fato, daria um ‘respiro’ aos integrantes da categoria, inevitavelmente. Por exemplo: Marvin Vettori é o atual número dois no grupo e vinha em grande fase na companhia, até desafiar Adesanya e ser anulado por grande parte do confronto. Como não ofereceu perigo real ao nigeriano, o italiano dificilmente receberá uma trilogia. Agora, se Robert vence, é uma novidade para os fãs, para o Ultimate e ‘menos mais do mesmo’.

O mesmo serve para outros atletas, como Borrachinha. Embora viva um momento inédito em sua carreira, com dois tropeços em sequência, o mineiro pode retomar o prestígio com a empresa repetindo atuações que o levaram a encarar Israel em 2020. Com um atropelo e Whittaker no trono, o brasileiro volta a ter seu nome cogitado.

Também não podemos descartar que, se Robert vence Adesanya em um confronto equilibrado, uma trilogia seria a decisão mais rápida, viável e rentável para a companhia. Desta forma, o hiato de desafiantes poderia ser prolongado até, quem sabe, o fim da temporada 2022.

Um conselho que eu daria a todos os demais atletas dos médios: entreguem grandes lutas e treinem dobrado. Israel, hoje, é uma realidade e carrega consigo um estilo que poucos apresentam atualmente.

Para mim, não existe um competidor invencível, seja lá qual for a modalidade. Mas, preparem-se, pois, em caso de vitória, Adesanya pode ‘empacar’ a divisão dos médios e retomar o sonho – frustrado em 2021 – de ir aos meio-pesados (até 93kg.) para novas conquistas, e, por ora, esquecer que tem um ‘castelo a vigiar’.

Se Whittaker ‘cai’, quem resta para Adesanya?

A maior preocupação, caso Adesanya vença é: quem enfrentar na sequência?

Como já citado, apenas Cannonier, no top 5, ainda não amargou uma derrota para o atual campeão. Saindo da ‘caixinha’ e pensando fora da elite, a organização tem o polêmico Sean Strickland, que está invicto na divisão, segue vencendo, mas não tem empolgado nas últimas performances. O norte-americano, hoje, é o sexto do grupo.

Quando se fala de Israel, principalmente a torcida brasileira, agora, já pensa em Alex Poatan. É fato que a lenda do kickboxing estreou de forma épica na empresa, mas o carrasco do nigeriano nos tempos de Glory sequer figura no top 15 dos médios. É surreal, então, pensar no tupiniquim como possível desafiante? No momento, sim. O atleta precisa bater um adversário ranqueado para que não seja apenas uma sombra de ‘Izzy’ pelo que fez no passado. O duplo campeão mundial de kickboxing precisa de mais testes, como já apontado pelo próprio Adesanya.

O improvável, portanto, pode acontecer. O momento em que um talento individual pode prejudicar, de certa forma, o futuro de toda uma categoria.

 

Obrigado, Popó! Você respeitou o Boxe (mais uma vez)

Em combate contra Whindersson Nunes, tetracampeão mundial deu um exemplo de espírito guerreiro e mostrou seu amor pela ‘nobre arte’

A. Popó (foto) em entrada para W. Nunes no ‘Fight Music Show’. Foto: Divulgação/Ricardo Franzen

Consagrado como um dos maiores nomes da história do boxe, Popó deu mais um exemplo de respeito à ‘nobre arte’ no último domingo (30). Se o receio inicial era de que um combate contra Whindersson Nunes, no ‘Fight Music Show’ poderia lhe causar uma repercussão negativa, o baiano mostrou que, em meio ao entretenimento, o espírito de guerreiro segue intacto.

E foi bom vê-lo em ação. Aos 46 anos, Acelino de Freitas não entrou para brincar, mas deu show. Brincou, sorriu, bateu. Bateu duro. Além de toda trajetória brilhante na modalidade, mostrou a importância de amar o esporte. E, sim, serviu de inspiração mais uma vez.

E o exemplo para os mais jovens? Fenômeno do ‘YouTube’, Whindersson Nunes conta com um considerável público adolescente, que pode ter acompanhado e torcido pelo influenciador. Mas, ao mesmo tempo, olhou para Popó com um olhar de admiração. Aquele olhar que, por muitas vezes, fica no inconsciente e é revertido, no instinto, em um desejo de praticar esportes. E, no Blog da Redação da semana, segue a reflexão: qual é o feito de Acelino ‘Popó’ Freitas em uma luta de exibição contra um youtuber?

Não pegou leve

Ao longo de toda divulgação para o combate, houve um grande questionamento sobre a intensidade dos golpes que seriam desferidos por parte de Acelino Popó. Afinal, ainda que fosse uma luta de exibição, os fãs dos esportes de combate estavam na expectativa de verem um show entre os competidores. E, de fato, foi à vera.

Em entrevista coletiva para promoção do ‘Fight Music Show’, Popó foi questionado se colocaria “100%” de sua força nos golpes e respondeu dizendo que tudo dependia da qualidade e foco de seu adversário. Na peleja, o pugilista cumpriu com o prometido e pressionou Whindersson Nunes à exemplo de suas características nos tempos áureos, com forte jogo de pressão e combinações rápidas na curta distância.

Saldo positivo

Alvo de críticas por ter aceitado enfrentar Whindersson Nunes desde o anúncio do combate, Popó conseguiu reverter a mídia negativa e conseguiu sair com boa imagem. O domínio mostrado sobre o youtuber aos 46 anos, além do respeito claro com a ‘nobre arte’ fizeram com que ele tivesse aceitação favorável.

Pode-se dizer, inclusive, que ambos honraram a ‘nobre arte’, por colocarem o esporte em evidência e se apresentarem da melhor forma possível, para orgulho do público médio e dos próprios amantes de lutas.

O reconhecimento de um ídolo

Além de medir forças com Popó, Whindersson também adotou uma boa postura após a luta. Em seus stories no ‘Instagram’, o youtuber – que conta com 56,8 milhões de seguidores – fez questão de pedir para que seus fãs seguissem o pugilista nas redes sociais. E, em pouco tempo, o tetracampeão saiu de 660 mil para 2,3 milhões no perfil em menos de 24h.

Um dos maiores da história

Acelino Popó mostrou, mais uma vez, o motivo ao qual lhe rendeu elogios como um dos maiores nomes da história do boxe e fez valer o respeito pela modalidade. Com um cartel de 41 vitórias – sendo 34 por nocaute – e apenas duas derrotas, o brasileiro não se apresentava desde 2017 e, entendendo a proposta de entretenimento, mesclou o ‘show business’ com o exemplo de sua qualidade, que se perdura por gerações que assistiam em emissoras nacionais de madrugada até os adeptos das redes sociais e streamings.

Não à toa, o tetra é um dos cinco brasileiros que já foram campeões mundiais no boxe e chegou perto de entrar em outra seleta lista. Em setembro de 2021, ele foi indicado como um dos candidatos para entrar no ‘Hall da Fama’ entre todos os maiores nomes da nobre arte. Os escolhidos, em questão, foram Roy Jones Jr., James Toney e Miguel Cotto, mas é inegável a importância de Popó como um exemplo de representante tupiniquim que chegou ao estrelato e, acima de tudo, ainda serve como uma grande inspiração para além do esporte.

Francis Ngannou, Fernand Lopez e as decisões que podem mudar uma vida

F. Lopez (esq) e F.Ngannou (dir) nos tempos em que dividiam academia na MMA Factory Foto: Divulgação/UFC

Existem momentos na vida em que precisamos tomar decisões dificeis, abandonar laços familiares ou de amizade em busca de um objetivo maior. A vitória de Francis Ngannou sobre Ciryl Gane, no UFC 270 do último sábado (22,) coroou uma escolha feita pelo camaronês em 2018 ao abandonar a ‘MMA Factory’, academia sediada em Paris (FRA) pela ‘X-Treme Couture’ em Las Vegas (EUA).

Foi nas mãos de Fernand Lopez, líder da ‘MMA Factory’ que Ngannou chegou ao MMA e a principal organização do mundo, o UFC. Francis era morador de rua em Paris e através de um amigo, conheceu a academia e foi apresentado as artes marciais mistas. Em poucos anos, o ‘Predador’ se tornaria desafiante da categoria dos pesados (até 120,2kg) mas sucumbiu diante do então campeão Stipe Miocic. Claramente, faltava um ‘algo mais’ para o camaronês conquistar o cinturão do Ultimate.

Em 2018, após a derrota para Miocic, Ngannou resolveu ir morar nos Estados Unidos e treinar na ‘X-Treme Couture’ em busca de evolução e culpando Fernand por não ter conseguido conquistar o cinturão dos pesados. O treinador respondeu acusando Francis de ter se deslumbrado com a fama e o dinheiro. A troca de farpas pública foi pesada entre os ex-amigos.

Em Las Vegas, Ngannou evoluiu como lutador, manteve a sua principal qualidade, a mão pesada, porém, se tornou mais estrategista, mais calmo e melhorou a sua luta agarrada, ponto fraco na luta contra Stipe. A caminhada na nova casa começou com uma derrota para Derrick Lewis, porém, em seguida, o ‘Predador’ emendou cinco vitórias seguidas e finalmente conquistou o cinturão da divisão dos pesados.

A sua primeira defesa foi contra o francês Ciryl Gane, produto da MMA Factory e pupilo de Fernand Lopez. Ngannou chegou a dividir os tatames da equipe com o ‘Bom Garoto’, inclusive, foi divulgado um vídeo antigo com imagens de Gane levando a melhor sobre Francis em um sparring, o que irritou demais o camaronês. O duelo se tornou algo pessoal para Ngannou, com uma pitada de emoção.

A luta principal do UFC 270 começou tensa, com Gane vencendo os dois primeiros rounds. No terceiro assalto em diante, vimos uma faceta de Ngannou que ainda não conheciamos: a de wrestler. O camaronês passou a quedar o seu oponente, adotou a estratégia da luta agarrada e virou a luta com três rounds de domínio no solo, para surpresa de todos, inclusive do novo técnico do ‘Predador’, Erick Nicksick.

A vitória veio na decisão unânime dos juízes e de uma forma surpreendente. Com uma nova (e inusitada) forma de vencer o combate, Ngannou ratificou a sua evolução como lutador, mesmo que ainda não seja um primor na luta agarrada. A decisão de mudar para Vegas se mostrou acertada. Francis buscava evoluir como atleta e se tornar um campeão dominante.Conseguiu.

O fato da vitória ter sido contra o seu ‘substituto’ no coração de Fernand Lopez e da MMA Factory, engrandeceu ainda mais o feito. No duelo entre ‘inimigos íntimos’, Ngannou venceu por ter tido coragem de mudar, por ter buscado o melhor para a sua carreira e por ter aprendido que no MMA não vence apenas quem tem a mão mais pesada.

Adeus ano velho, feliz Blog da Redação novo (de novo)

Espaço será destinado a opinião dos membros do SUPER LUTAS deixarem suas opniões sobre tudo que rola no mundo dos esportes de combate

O ano de 2021 foi para a conta e o primeiro evento numerado do UFC em 2022 já bate a porta. Mas seria impossível iniciamos a nova temporada de grandes lutas sem lembrar tudo que aconteceu nos últimos 12 meses. 2021 foi o melhor ano da história do SUPER LUTAS. O site se estruturou, cresceu a equipe e terminou com marcas incríveis.

Foram 4.783 notícias publicadas, mais de 22 milhões de visitantes únicos e 80 milhões de páginas lidas de 1 de janeiro até 31 de dezembro. Números muito acima que o de qualquer outro site em língua portuguesa que trata sobre o mundo das lutas.

Além disso, pela primeira vez, o SUPER LUTAS beliscou os 3 milhões de visitantes únicos e 10 milhões de páginas vistas em um único mês.

Como presente a nosso leitor, que está acostumado a ficar bem-informado com as notícias publicadas no SUPER LUTAS, e aprendeu a gostar com algumas de nossas opiniões nas lives da segunda tela no Youtube, esse será mais um espaço.

O Blog da Redação já foi criado em outra oportunidade onde eu, Eduardo Oliveira, fundador e editor do SUPER LUTAS, deixava algumas opiniões sobre tudo que rolava no mundo das lutas. Entretanto, naquela época, tínhamos uma equipe reduzida e o Blog da Redação ficou em segundo plano até ele sumir.

Agora, eu terei a companhia da equipe da Redação para deixar seus pitacos: VH Gonzaga, Igor Ribeiro, Gabriel Fareli, Fernando Keller serão figurinhas carimbadas por aqui. Além de, eventualmente, os apresentadores de nosso canal do Youtube, Laerte Viana e Tarso Doria, deixarem seus pitacos também em texto.

Sejam todos bem-vindos (novamente) ao Blog da Redação do SUPER LUTAS.

ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE O ANO DE 2021 no SUPER LUTAS

Mês com mais notícias publicadas: 517, em outubro

Mês com maior audiência: novembro: com 2.935.188 de visitantes únicos e 9.858.284 de páginas lidas

Notícia mais lida em 2021: Filho de Anderson Silva é brutalmente nocauteado em luta de kickboxing (1.150.054 leituras)

Nota com vídeo de highlight mais visto em 2021: Assista o nocaute de Vitor Belfort sobre Evander Holyfield no Boxe (1.842.562 visualizações)

Vídeo mais visto em 2021: Lutadores e Dana White reagem a vitória de Charles do Bronx (456.126 visualizações)

Live maior audiência: Segunda tela do UFC 269 (Pico de 5.292 espectadores simultâneos, 330.062 visualizações e 27.174 mensagem no chat)