Dariush ou Green? Pouco importa; Makhachev tem disputa de cinturão assegurada desde o UFC 254

Pupilo de Khabib ‘cumpriu tabela’ por pouco mais de um ano e espera se encerra em fevereiro; peso leve pretende suprir ausência do mentor no Ultimate

I. Makhachev posa com antigo cinturão de K. Nurmagomedov. Foto: Reprodução/Instagram

Depois de ‘cumprir tabela’ no Ultimate por pouco mais de um ano, Islam Makhachev, enfim, chegará a uma disputa de cinturão no peso leve (até 70,3kg.). Protagonista do UFC Las Vegas 49, que acontece em 26 de fevereiro, o atleta enfrenta o desraqueado Bobby Green, em confronto que pouco importa quem é o rival. Candidato a principal estrela da empresa, o russo tem luta pelo trono assegurada desde 24 de outubro de 2020.

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Pupilo e aluno de Khabib Nurmagomedov, Makhachev é considerado por muitos como o sucessor imediato do ex-campeão dos leves, aposentado desde outubro de 2020. Talentoso e com técnicas que se assemelham às do professor, o combatente precisou aguardar o desfecho da elite da categoria, enquanto construía sua história e colecionava vítimas no octógono.

Com estilo pragmático, previsível, mas infalível nos últimos nove embates, Makhachev conseguiu chegar ao top 5 dos leves. Neste fim de semana, o atleta teria a oportunidade de avançar ainda mais, não fosse a lesão de Beneil Dariush, número três do grupo, a dias do show.

Ao notar a maneira com que superou os últimos adversários e contando sempre com o suporte de Khabib, que segue gozando de grande prestígio com o UFC, era questão de tempo para que o russo pudesse ser um desafiante legítimo ao cinturão. Seu talento e com um ‘padrinho’ de peso fizeram com que o lutador chegasse como favorito até diante de adversários ‘mais rodados’ e mais bem ranqueados na companhia.

Cadê o adversário de peso?

Muitos questionam o fato de Makhachev ter chegado ao top 5 sem enfrentar um adversário de maior nome. É verdade. Islam não precisou passar por inúmeras ‘guerras’, como fez o campeão da divisão, Charles do Bronx, para assegurar sua primeira defesa luta pelo cinturão.

Em seu retrospecto recente, apenas Dan Hooker figurava entre os 10 melhores da categoria. O atleta, no entanto, já reclamou publicamente sobre as dificuldades em encontrar adversários que quisessem medir foças contra um prospecto ao cinturão mundial.

O maior desafio do russo, de fato, seria neste fim de semana, quando enfrentaria Beneil Dariush, ‘forjado’ por Rafael Cordeiro na consagrada ‘Kings MMA’. O adversário, lesionado, acabou dando lugar ao desranqueado Bobby Green, que topou voltar ao octógono duas semanas depois de uma vitória sobre Nasrat Haqparast.

‘Passeio’ Green deslegitima Makhachev?

Quando tratamos de um atleta comum, um anticlímax, como a ausência de Dariush, poderia atrasar o planejamento de toda uma equipe. No entanto, repito: não estamos tratando de um ‘lutador qualquer’.

O ‘fator Khabib’, por mais que pareça injusto para muitos, pelo fato de Makhachev não ter passado por ‘perrengues’ que outros passaram, faz a diferença nesta história. Amigo de Dana White e com a alcunha de ser um dos maiores nomes da empresa em sua história recente, Nurmagomedov, há tempos, exige uma luta do pupilo por seu antigo trono.

Enquanto Islam não tinha seu nome entre os cinco melhores da categoria, parecia absurdo cogitar o russo como um desafiante legítimo. Agora, na quarta posição, com Dustin Poirier fora da parada e Justin Gaethje confirmado como rival de do Bronx no UFC 274, fica inviável não dar a chance ao russo na sequência.

Tudo isso, claro, depende de uma vitória sobre o Bobby Green.

Torcida pelo ‘azarão’? Aqui, não

Corajoso e com a certeza de que irá faturar alguns dólares a mais no mês – perdendo ou ganhando o confronto -, Green chega ao UFC Las Vegas 49 sem a pressão da vitória. O atleta, inclusive, deve contar com a torcida de milhões de fãs do esporte ao redor do mundo, por se tratar de um atleta que, no papel, não possui tantos recursos para vencer o pragmatismo de Makhachev.

Por vezes, torcemos para zebras. Acontece no futebol, na NBA, nos filmes. Neste caso, peço licença e me retiro das conversas na torcida para quem tem menos chances de vencer, e tenho dito.

Em se tratando de Makhachev, estou no grupo daqueles que estão ansiosos para saber o que a ‘nova estrela’ russa pode oferecer. Quero ver Islam dividindo o octógono com os melhores, de fato. Quero ver o ‘novo Khabib’ consegue, na hora certa, anular a raça e o jiu-jitsu de excelência de Do Bronx ou a trocação afiada de Gaethje, mesmo que, no passado, o norte-americano tenha sido presa fácil para o professor Nurmagomedov.

Chance de o sonho ser novamente adiado

Mesmo após descrever o cenário atual dos leves, ainda entendo duas possibilidades que podem frustrar os planos de Makhachev em chegar a uma disputa de título.

Caso o russo, de fato, passe por Green, o atleta, obviamente, ficará de olho em ‘Charles x Justin’. Se a luta entre o campeão e norte-americano acontecer de forma equilibrada, que gere o impacto necessário para uma revanche imediata, a diretoria do UFC pode não pensar duas vezes. Islam, então, espera mais uma vez e pode ter um novo adversário na linha de frente.

Improvável, mas não impossível, seria o eventual retorno de Conor McGregor, que se recupera de grave lesão e deve voltar ao MMA nesta temporada. Nos últimos meses, Do Bronx não escondeu que permitiria uma ‘furada de fila’ do irlandês, que vem de duas derrotas consecutivas, mas carrega consigo a capacidade ímpar de trazer entretenimento a fãs ao redor do mundo.

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